Explicando e justificando a transformação digital e ágil

Este capítulo possui uma versão mais recente:

Dispositivos conectados e inteligentes estão transformando a competição.
Michael Porter
Transformação digital e ágil é tema recorrente e, sem dúvidas, importante na agenda estratégica da organizações. Entretanto, com muita frequência, as discussões realizadas são mais rasas do que o necessário. Há certeza da importância do tema, mas, nem sempre, entendimento de como abordá-los.
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70% das iniciativas de transformação digital falham

Pesquisas da McKinsey mostram que 70% das transformações organizacionais falham de maneira recorrente. A consultoria alega que a causa raiz é o comportamento das pessoas na organização – seja da gerência ou dos funcionários.

Assumindo que as pessoas são comprometidas e bem-intencionadas, parece ficar óbvio que o comportamento não favorável a mudanças seja fruto da falta de conhecimento ou da insegurança.

Nessa pequena introdução, tento consolidar aspectos que possam servir de fomento a discussões estratégicas mais assertivas, tão necessárias. Na prática, apresento um raciocínio simples, por isso mesmo fácil de entender e replicar.

Os “três vetores” para a transformação digital

Há três vetores principais, todos eles exponenciais, para a transformação digital.

O primeiro deles é a impressionante taxa de crescimento observada na capacidade de processamento dos recursos digitais. De fato, a “previsão” de Gordon Moore, na década de 1960, de que a capacidade computacional duplicaria a cada 18 meses, embora imprecisa, pode ser observada. Celulares de hoje são mais poderosos do que supercomputadores de ontem, custando apenas uma fração.

Lei de Moore

Lei de Moore é uma expressão usada para se referir à observação feita por Gordon E. Moore, na década de 1960, sobre a tendência histórica da indústria de microchips e processadores. Segundo ela, o número de transistores dos chips teria um aumento de 100%, pelo mesmo custo, a cada dois anos.

Em 1975, Moore revisou a sua previsão para, a cada dois anos, um aumento de 100% na quantidade de transistores dos chips mantendo seu custo. Porém um colega de Moore previu que esse período seria a cada 18 meses.

O segundo vetor é a conectividade, tanto de pessoas quanto de dispositivos. A cada dia, milhares de pessoas se conectam a internet pela primeira vez, tanto em países ricos como em subdesenvolvidos. Tal conectividade, aliás, com crescimento exponencial, tem modificado a dinâmica das relações. Discussões em mesas de bar sobre temas diversos são abreviadas em segundos com consultas aos “oráculos virtuais”. Se informação é o novo petróleo, a conectividade tem a tornado abundante.

O terceiro vetor é a capacidade de armazenamento. De fato, produzimos e armazenamos hoje volumes de informação, em um só dia, superiores a tudo que foi produzido na idade média.

Dispositivos inteligentes e conectados, alimentam e consomem gigantescas bases de informação, analisadas e exploradas por sistemas de software poderosos, potencializados por capacidade de processamento sem precedentes.

Os “três vetores” em exemplos práticos

Todos os dias, pessoas utilizam suas redes sociais, abastecendo bases de dados gigantescas, que são processadas por software que identificam tendências de consumo, produzindo publicidade personalizada.

Rotineiramente, aparelhos sofisticados de exames de saúde e médicos consolidam informações em bases de dados gigantescas e distribuídas, que são utilizadas como fonte de treinamento para inteligências artificiais, que aprendem a fazer diagnósticos muito mais assertivos.

Saúde e a Nuvem

O setor da saúde está sendo “transformado digitalmente”. Uma das razões para isso é a tendência da insustentabilidade dos modelos de negócios e operaciais adotados hoje, inclusive nos EUA.

A força do movimento é tão grande a ponto de healthcare ser o primeiro vertical oficial da solução de Nuvem da Microsoft.

A conectividade dos últimos anos permitiu o surgimento de entretenimento on demand, como, por exemplo em plataformas de streaming de música e vídeo. Esse “consumo personalizado” tem permitido a coleta de informações, não apenas quanto a preferências de conteúdo, mas padrões de uso.

Como o Netflix sabia que House of Cards seria sucesso?

A Netflix utilizou, de maneira intensiva, dados de comportamento de seus assintantes, para influenciar o roteiro e produção de, House of Cards. Segundo a companhia, esse foi um aspecto fundamental para o sucesso da série.

Entre as informações utilizadas pela plataforma estão número e instantes de “pausas” dos usuários por episódio, cenas assistidas repetidas vezes, cenas avançadas, etc.

Assistentes virtuais, fazendo interface com as pessoas através de dispositivos móveis e utensílios domésticos, coletam e alimentam gigantescas bases de dados distribuídas, que são processadas por software sofisticado, que “responde em voz natural”, literalmente, nos mesmos dispositivos e utensílios que iniciaram o processo, fechando uma espécie de ciclo virtuoso.

Na indústria, sensores, cada vez mais precisos e numerosos, são instalados nas máquinas físicas, produzindo informações em volumes cada vez maiores, armazenadas em bases distribuídas, que, mais tarde, processadas por software, geram máquinas virtuais gêmeas, facilitando operações de monitoramento, manutenção e simulação.

Os exemplos são abundantes e o impacto social é inegável.

Implicações óbvias dos “três vetores” para os negócios

De fato, processamento, armazenamento e conectividade, têm modificado as dinâmicas de relacionamento das empresas com seus clientes, fornecedores, parceiros, concorrentes e a comunidade. Consequentemente, revolucionando a competição.
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A combinação de bases de dados gigantescas, alimentadas e conectadas com milhares (ou milhões) de fontes de informação, processadas com software inteligente, estão influenciando não apenas o modelo operacional como, também, o modelo de negócio das organizações.

As ditas organizações exponenciais – como as famosas startups unicórnio – não são mais do que empresas que tiveram a competência de desenvolver ou adequar seus modelos operacionais e de negócios aos três vetores.

Software vai engolir o mundo

Em 2011, Marc Andreessen afirmou que o software iria “engolir o mundo”. Aliás, ele foi mais categórico e afirmou que, no futuro, toda organização seria desenvolvedora do software. Empresas não adaptadas a essa realidade seriam irrelevantes ou deixariam de existir.

A afirmação de Andreessen ocorreu antes de fenômenos como Netflix, Uber, AirBnB, etc.

A urgência da transformação

O ritmo exponencial do crescimento das capacidades de processamento, armazenamento e conectividade, combinadas com a redução exponencial dos custos envolvidos, tem imposto um ritmo de mudanças acelerado sem precedentes.

Modelos operacionais que não exploram processamento, armazenamento e conectividade dificilmente conseguem competir, tanto em eficiência como em eficácia com aqueles que exploram.

Modelos de negócio tradicionais, que não exploram processamento, armazenamento e conectividade, dificilmente conseguem suportar comparações com modelos digitais.

We’ve long believed that when the rate of change inside an institution becomes slower than the rate of change outside, the end is in sight. The only question is when. – Jack Welch

A distância entre o mundo puramente analógico e o mundo com influências digitais fortes é tamanha que, mais do que uma evolução, são necessárias transformações.
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Transformação digital implica na utilização inteligente de recursos digitais exponenciais – processamento, armazenamento e conectividade – no desenvolvimento de modelos de negócios e operacionais mais eficientes e eficazes, transformando resultados de maneira potencialmente exponencial.

A demanda urgente pela agilidade

Mais uma vez, o ritmo exponencial de crescimento das capacidades de processamento, armazenamento e conectividade, implica em um ritmo de mudanças com aceleração, também, exponencial.

Métodos tradicionais de planejamento e execução, que tiveram sucesso em outros tempos, não são suficientes para o enfrentamento dos desafios atuais. Por isso, a demanda, também urgente, pela agilidade.

O “movimento ágil” surgiu, primeiro, na indústria de desenvolvimento de software. Entretanto, agora parece ser imperativo para as outras capabilites organizacionais.

Embora processos e ferramentas sejam importantes, sobretudo em organizações que demandam compliance, são as pessoas e a forma como elas interagem que fazem a diferença.

Sem dúvidas, planejamento e documentação são indispensáveis, sobretudo em organizações que precisam estar adaptadas a modelos de maturidade e certificações, mas é a capacidade de experimentar rapidamente combatendo a incerteza que define quem continuará ganhando o jogo.

É certo que a capacidade de estabelecer e cumprir acordos é característica importante. Entretanto, as demandas por coordenação e sincronização precisam ser minimizadas e adaptações sejam feitas rapidamente. Cooperação é bom, mas colaboração é imperativo.

Não há transformação digital sem transformação ágil.

Para pensar…

A mudança não é confortável para ninguém. Há aqueles que se sentem um pouco menos “desconfortáveis” saindo de suas “zonas de conforto”, mas, no geral, tendemos a nos habituar com rotinas, perseguindo a estabilidade.

O crescimento exponencial das capacidades de processamento, armazenamento e conectividade geram instabilidades que, por sua vez, levam a mudanças, nem sempre com vantagens evidentes. Mas, realizar tais mudanças de maneira pró-ativa parece ser fundamento para que organizações continuem vivendo suas “não mudanças”, sobretudo o propósito.

Jeff Bezos diz que as “não mudanças” do varejo são 1) atender bem os clientes, 2) oferecendo preços mais baixos e 3) prazos de entrega menores. Nenhuma empresa, atualmente, no varejo, tem demonstrado tanta eficiência para realizar suas “não mudanças” tão bem como a Amazon. Para fazer isso, ela muda o tempo todo, achando meios inteligentes de aproveitar processamento, armazenamento e conectividade.

Referências bibliográficas

ANDREESSEN, Marc. Software is Eating the World. 2011. Disponível em: https://bit.ly/3o9Hiat. Acesso em: 7 nov. 2021.

ATCHISON, Shane; BURBY, Jason. Big data and creativity:  What we can learn from ‘House of Cards’. 2016. Disponível em: https://bit.ly/3D0pHbe. Acesso em: 7 nov. 2021.

BECK, Kent et alManifesto for Agile Software Development. 2001. Disponível em: https://agilemanifesto.org/. Acesso em: 7 nov. 2021.

FOLEY, Mary Jo. Microsoft announces first vertical cloud offering: Microsoft Cloud for Healthcare. Disponível em: https://zd.net/3ke5nM9. Acesso em: 7 nov. 2021.

FRABASILE, Daniela. A transformação dá errado em 70% das empresas. O que fazer para evitar o fracasso? 2019. Disponível em: https://glo.bo/3bPDbuk. Acesso em: 7 nov. 2021.

PORTER, Michael E.; HEPPELMANN, James E.. How Smart, Connected Products Are Transforming Competition. 2014. Disponível em: https://bit.ly/3kgqjC1. Acesso em: 7 nov. 2021.

WIKIPEDIA (org.). A lei de Moore. 2021. Disponível em: https://bit.ly/3BSoOzY. Acesso em: 7 nov. 2021.

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Elemar Júnior

Fundador e CEO da EximiaCo, atua como tech trusted advisor ajudando diversas empresas a gerar mais resultados através da tecnologia. 

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